Adaptar todas as atividades, nem sempre é ser inclusivo.

23/07/2021

Fabiana Leme de Oliveira

Foto: mulher sentada à mesa cheia de papéis empilhados, ela usa óculos e está com a expressão de surpresa
Foto: mulher sentada à mesa cheia de papéis empilhados, ela usa óculos e está com a expressão de surpresa

Você já parou para pensar que adaptar TODAS as atividades não te faz um professor mais inclusivo?

E por que esse tema está tão em pauta hoje, se esses estudantes já estão na escola há tanto tempo? O que era feito anteriormente que não está sendo possível no ensino remoto e/ou híbrido?

Parece até um pouco contraditório, mas vamos refletir um pouco sobre essa "adaptação em massa" de atividades para alunos com deficiência ou transtorno do espectro autista.

Segundo o dicionário, o verbo adaptar pode significar tanto "ajustar(-se), acomodar(-se) ou encaixar(-se)" quanto "modificar (algo) para que se acomode, se ajuste ou se adeque (a uma nova situação, um determinado fim, um meio de comunicação"

Por que precisamos adaptar tanto?

Foto: tábua de madeira com furo redondo onde tentam encaixar uma madeira com formato retangular
Foto: tábua de madeira com furo redondo onde tentam encaixar uma madeira com formato retangular

A concepção do nosso sistema de ensino, das escolas e seus currículos ainda é pautado na visão de um estudante ideal, um modelo a ser atingido.

Nossas práticas de ensino e de avaliação ainda são massificadoras e permitem pouca [ou nenhuma] flexibilidade, contrastando com a realidade social onde a diversidade, o movimento e as novas formas de ser e estar no mundo estão evoluindo, dia após dia.

Durante muito tempo, estudantes que não se adaptavam ao modelo único e rígido do sistema escolar eram excluídos através de um discurso normalizador, que hoje já não encontra mais respaldo nas novas demandas sociais. 


Apesar de todo o esforço de vários educadores conscientes da urgência dessa mudança, todos os estudos e produção acadêmica sobre a necessidade de transformação de nossa educação, a escola mudou muito pouco.

Ainda encontramos um ensino compartimentalizado, dividido em grades curriculares e que se afasta do dia a dia da efervescência social. 

Essa é uma análise da educação em geral onde todos sentem o impacto de um modelo de ensino ultrapassado, mas os estudantes com alguma deficiência, com algum transtorno do espectro autista ou com dificuldades acentuadas em seu aprendizado, com certeza são os mais afetados por essa forma de ensinar.


Currículo "remendado"

Foto: mãos puxando fita adesiva cinza escuro
Foto: mãos puxando fita adesiva cinza escuro

Quando partimos de uma perspectiva de que o Currículo é imposto à realidade dos estudantes, sempre vamos nos deparar com a necessidade de realizar adaptações, remendos no meio do caminho. 

Muitas vezes esses remendos, essas adaptações são realizadas de forma a reduzir o currículo, pois, um estudante com deficiência ou com transtorno do espectro autista não estaria "pronto" para aprender aquele conteúdo programático, da forma escolhida e não conseguiria devolver na avaliação padronizada resultados que comprovem sua aprendizagem.


Mas ele ainda não sabe ler...

Muitos brasileiros e brasileiras não estão alfabetizados de fato... 

E não são apenas as pessoas com deficiência ou transtorno do espectro autista que fazem parte dessas estatísticas.

É preciso sim, encarar a questão da ampliação da alfabetização e do letramento de TODOS nossos estudantes como eixo central de nossos currículos, indo além da dicotomia entre: como ensinar esse conteúdo se ainda ele não lê?

Currículo como percurso

Ao realizar um deslocamento ou uma viagem, precisamos saber onde estamos, checar os recursos disponíveis, planejar uma rota para nosso destino e após o início da jornada ir pouco a pouco ajustando os nossos passos ao caminho real e as situações não planejadas que precisam ser consideradas e assim continuamos nossa jornada.

E por que na escola não agimos dessa forma?

Instituímos conteúdos curriculares em prazos pré-fixados, ensinados de uma única forma e esperamos que todos aprendam...

Um planejamento único para a turma que contemple os diferentes ritmos, formas, perfis de aprendizagens, respeitando suas individualidades durante todo o processo, inclusive nas avaliações.

Quanto mais esse Currículo contemplar os estudantes reais que compõe a turma, precisaremos adaptar muito pouco, ou muitas vezes quase nada.  


Adaptar ou Acessibilizar?

Todos os estudantes tem o direito à aprender. 

Para fazer valer esse direito a Lei Brasileira de inclusão - nº 13.146 de 2015 traz:

CAPÍTULO IV - DO DIREITO À EDUCAÇÃO 

Art. 28. 

V - adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com deficiência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a aprendizagem em instituições de ensino; 

O Currículo e planejamento precisam contemplar as diferentes formas de aprender e se expressar dos estudantes.

Quanto mais considerarmos que o Currículo deve "servir" aos estudantes reais trazendo aprendizado, menos precisaremos realizar as adaptações, remendos e readequações.

Não estamos falando aqui de adaptações para acessibilizar o conteúdo, que são fundamentais para a equidade no ensino, tais como: 

  • Transcrição em Braille;
  • Ampliação de letras e contrastes;
  • Reorganização do formato e fonte do texto;
  • Adequação a plataformas de comunicação alternativa
  • Utilização de banco de imagens complementares
  • Leitura do texto para o estudante
  • Intérprete de Libras
  • entre outras que visam oportunizar aos estudantes acesso aos conteúdos trabalhados em sala.

Estamos aqui refletindo sobre o volume de atividades encaminhadas para a realização de uma "adaptação" sem que haja clareza nos objetos individuais para aquele estudante.

Ilustração: máquina com vários papéis entrando e saindo. Acima o título: Adaptação de atividades "em massa"
Ilustração: máquina com vários papéis entrando e saindo. Acima o título: Adaptação de atividades "em massa"

A adaptação "em massa" de atividades para estudantes com deficiência ou com autismo, sem alterar as práticas de sala de aula, levam a geração de Currículos paralelos que além de reforçar a segregação dentro do espaço escolar, sobrecarrega os professores sem produzirem uma aprendizagem efetiva, objetivo fundamental da escola.

Voltando um passo atrás...

Mas então, por onde devo começar?

Antes de realizar qualquer adaptação ou acessibilização de conteúdos, de atividades ou de estratégias, precisamos seguir o seguinte roteiro:

  1. O currículo deve ser alinhado a TODA turma da sala de aula, ele deve servir de guia na jornada para a aprendizagem de todos.
  2. Sobre o conteúdo a ser abordado, o que o estudante já sabe? 
  3. Quais são suas habilidades?
  4. Quais são suas dificuldades?
  5. Quais são os objetivos gerais de desenvolvimento para esse estudante?
  6. Quais são os meus objetivos específicos, para esse estudante no conteúdo proposto?
  7. Qual o tempo de desenvolvimento desse conteúdo?
  8. Qual minha meta específica?
  9. Como vou avaliar?
  10. Replanejamento

Aproveite essa aula onde vamos receber as Profªs Liliane Garcez e Gabriela Ikeda:

Educação Inclusiva: O desafio de não deixar ninguém para trás

Vamos refletir juntos sobre essa temática? Aproveite os comentários.

Fabiana Leme
Fabiana Leme

Informação e conhecimento são as bases de uma sociedade mais inclusiva.

Espero você em nossos próximos artigos!

Profª Fabiana Leme

Atividades para estimulação: Crianças com deficiência ou autismo (15 horas)

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