Inclusão Escolar no ensino fundamental II – desafios para escola e famílias

Fabiana Leme de Oliveira

Atualmente encontramos muita informação sobre a inclusão escolar de alunos com deficiência e/ou com transtornos do espectro autista (TEA) na educação infantil e nas séries iniciais, mas temos poucas informações sobre como incluir (de fato) neste segmento de ensino, principalmente alunos com deficiência intelectual ou com transtornos do espectro autista. Como tornar isso possível?

Pensar na educação inclusiva implica em pensar a escola coletivamente, não é possível que apenas a iniciativa de um profissional garanta uma inclusão de fato.

A socialização é importante, mas não é a única função da escola. Este é um tema bastante polêmico, pois, como falar de objetivos de aprendizagem se o aluno está muito defasado da turma?

imagem desfocada de uma sala de aula, alunos sentados e professora em pé na lousa a frente
imagem desfocada de uma sala de aula, alunos sentados e professora em pé na lousa a frente

Sim precisamos pensar em objetivos de aprendizagem em todas as disciplinas da grade curricular,  estabelecendo metas de aprendizagem individualizadas para esse aluno.

 Veja algumas orientações para auxiliar professoras e professores neste sentido:

  • Nem todo aluno com deficiência apresenta dificuldades para aprender ou defasagem de conteúdo, mas é muito importante garantir a acessibilidade a todos os materiais didáticos.
  • Alunos com surdez, que utilizam Libras, precisam de intérprete em sala, este profissional realiza a mediação linguística apenas, a responsabilidade do processo de avaliação, ensino e aprendizagem é do professor, da professora;
  • Alunos com cegueira ou baixa visão precisam ter acesso aos textos, sempre! Temos atualmente recursos em Braille, textos ampliados ou até com o uso de notebooks, mas é importante que o aluno tenha acesso aos materiais de apoio e não fique apenas como ouvinte na sala de aula. Figuras, mapas e outras fontes visuais precisam ser descritas ou transformadas em maquetes, formas em 3D para exemplificar o conteúdo;
Reprodução em relevo de neurônios
Reprodução em relevo de neurônios
  • Conheça seu aluno, sua aluna. Sabemos que as turmas são numerosas e normalmente a avaliação dos conhecimentos prévios se dá de forma coletiva através de avaliações escritas, da participação em sala entre outras formas, mas quando há um aluno com deficiência ou com transtorno do espectro autista na turma é preciso realizar uma avaliação individualizada. Quais são os conhecimentos que ele apresenta, como se comunica, quais as melhores formas de aprender;
  • É importante que professoras e professores analisem no planejamento de sua disciplina para aquele ano/série e verifique qual é a essência do seu conteúdo e qual a meta (real) a ser atingida por este aluno. Por exemplo: Se o objetivo para aquele bimestre em Geografia está em analisar e diferenciar diferentes relevos, localizar biomas entre outros. O objetivo individualizado de um aluno, a partir da avaliação realizada, pode ser indicar e reconhecer figuras de planícies e planaltos, ou situar algum bioma específico, através de figuras ou na maquete;
  • Muitas vezes os textos e livros precisam ser complementados por outros recursos didáticos, por exemplo a construção de mapas mentais. É possível propor que toda a turma construa um mapa conceitual de um conteúdo, de um texto utilizando imagens, e com a participação ativa do aluno com deficiência ou com transtorno do espectro autista, fixando conteúdo para todos e deixando conceitos mais abstratos de forma mais concreta.
Exemplo de mapa conceitual: Texto natureza inquieta (Concepção Profª Betina Caballeria)
Exemplo de mapa conceitual: Texto natureza inquieta (Concepção Profª Betina Caballeria)

Os atendimentos de suporte e clínicos deste aluno também são fundamentais. A escola têm um papel fundamental no desenvolvimento do indivíduo, mas é importante que os atendimentos em Salas de Recursos (no contra turno) aconteçam, pois em atendimentos mais individualizados ele poderá desenvolver habilidades e competências que o auxiliarão na sala de aula regular;

A Coordenação Pedagógica e a Direção escolar têm um papel fundamental em auxilar o grupo de professores a pensar de forma coletiva, garantindo conteúdo formativo para equipe e também acompanhando as famílias e orientando para atendimentos específicos, encaminhamentos para formação profissional ou para outras atividades extra curriculares.

Desenvolver a empatia no grupo de alunos, trazendo a discussão sobre a inclusão e exclusão na sociedade favorecerá a formação de cidadãos mais conscientes de seu papel na sociedade;


Têm outras experiências, ficou com dúvidas, quer me contar sua prática e sua vivência? 

Aproveite os comentários abaixo e vamos estabelecer um diálogo. Até o próximo artigo e aproveite para conhecer no INCLUzap. 

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