Inclua (muito bem!) alunos com cegueira (deficiência visual) na sala de aula

Fabiana Leme de Oliveira

Alfabeto móvel em Braille feito em EVA
Alfabeto móvel em Braille feito em EVA

O nosso mundo é visual. As nossas aprendizagens, nossos conceitos, a percepção do mundo e até a linguagem é baseada no que percebemos através da visão.

Na falta deste sentido, é muito importante começar um trabalho sistemático e direcionado para que este indivíduo possa aprender e reconhecer o mundo através de outras referências.

Em sala de aula também precisamos ficar atentos e atentas no processo de aprendizagem destes alunos.

Nosso papel é oferecer o conhecimento de diversas formas e por diversos estímulos. 

Se antes para falar sobre o relevo, por exemplo, apenas uma foto ou figura já era suficiente em nossa proposta didática agora é preciso ir além e conectar outros estímulos, outros sentidos na aprendizagem.

O mais importante neste processo é que ao suprir uma necessidade fundamental do aluno com deficiência visual, todos os alunos são amplamente favorecidos, pois, nem todos aprendem da mesma forma, trazer uma proposta que integra vários sentidos traz significado ao que se ensina, impactando na aprendizagem.

Ciclo da água feito com diferentes materiais (táteis)
Ciclo da água feito com diferentes materiais (táteis)

Outro ponto fundamental é que estes alunos e alunas vivenciarão a empatia e no futuro ao desenvolver e projetar novos serviços e produtos já levarão em conta a diversidade humana, a acessibilidade. 

Mas em sala de aula, como o professor, a professora pode favorecer a aprendizagem destes alunos? Vamos à algumas orientações importantes:

Todo material didático deve estar disponível para o aluno ou aluna cega ao mesmo tempo que seus colegas.

Mesmo com o uso de diferentes tecnologias aprender o código Braille é muito importante, pois, ao ler você identifica questões ortográficas e de organização textual que se o aluno só tiver acesso a um leitor, que lê para ele, não poderá reforçar estes conteúdos.

Além das atividades escolares, é fundamental que o aluno, a aluna com cegueira tenha acesso ao atendimento de contra turno para ter acesso aos recursos específicos (Código Braille, sorobã e a orientação e mobilidade)

Mão infantil lendo papel impresso em Braille
Mão infantil lendo papel impresso em Braille

- Mesmo tendo acesso aos materiais adaptados, é importante que o professor, a professora conheça o sistema de escrita para poder intervir na escrita do aluno por exemplo. Para auxiliar neste sentido conheça o Braille Virtual 1.0, um curso on-line (gratuito) baseado em animações gráficas e destinado à difusão e ensino do sistema Braille a pessoas que vêem. (USP). Este curso pode não funcionar em alguns celulares, apenas no computador.

- Utilize modelos concretos para auxiliar no ensino de diferentes conceitos;

- Utilize também a dramatização e vivências corporais para ilustrar conceitos como: alto e baixo, perto e longe, dentro e fora entre outros;

- Oriente os colegas da turma sobre o que é a deficiência visual, como conduzir o colega com segurança pois assim a inclusão será mais efetiva;

Tipos de triângulos construídos com canudos plásticos
Tipos de triângulos construídos com canudos plásticos

Espero que estas orientações ajudem você a pensar (e a criar) diferentes recursos para ampliar a aprendizagem de aluno com deficiência visual na sua sala de aula. Hoje enfatizamos a cegueira, mas já postamos sobre a baixa visão para ler mais clique aqui.

Até o próximo artigo, se tiver dúvidas ou falar conosco aproveite os comentários; 

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